Muitos estudantes se perguntam

O APOIO PSICOLÓGICO É ÚTIL PORQUÊ, PARA QUEM, COMO?

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A transição para a Universidade

À transição do Ensino Secundário para a Universidade corresponde uma mudança ambiental grande na medida em que, primeiro, o nível de exigência académica e a competitividade são bastante superiores aos do Ensino Secundário; segundo, há em geral um afastamento dos anteriores colegas e o confronto com outros jovens desconhecidos, por vezes com notas muito superiores, etc. Estes factores, se podem ser sentidos como estimulantes em termos intelectuais e relacionais, podem noutros jovens desencadear sentimentos de insegurança, dúvida, solidão.

Em particular, a maior exigência académica pode fazer ver ao jovem que os seus métodos de estudo anteriores são insuficientes, ou pode desenvolver-se uma ansiedade bloqueadora em situações de testes e exames. Por outro lado, nem sempre o curso em que se conseguiu entrar é o curso durante anos sonhado e pode surgir a frustração, a dúvida em continuar ou tentar transferências, ou ainda recomeçar tudo de novo aumentando as médias de acesso ao Ensino Superior, etc.

Há ainda todos aqueles estudantes que tiveram que se afastar de casa dos pais, vivem em quartos alugados e residências e se ressentem da falta do ambiente familiar, têm saudades, dificuldades em lidar com a tristeza que essa separação pode implicar. Dentre estes, mais desadaptados, se podem sentir os jovens estrangeiros que vão ter que, para além de tudo, conviver com uma nova cultura e novos hábitos.

Outro factor potencialmente causador de desadaptação pode ocorrer quando jovens oriundos de meios pequenos economicamente modestos, mas homogéneos, se vêem confrontados com colegas de um nível mais elevado, quer socialmente, quer culturalmente.

Comparações podem surgir e ser vividas com sentimentos de inferioridade e um abaixamento da auto-estima. Tudo o que foi dito anteriormente refere-se às reacções que podem surgir devidas à mudança de ambiente.

 

A idade adulta

Mas há outras razões e, talvez mais importantes, que tornam uma ajuda psicológica fundamental para os anos em que os jovens passam na Universidade. A faixa etária 18 - 25 anos engloba aquilo que costuma ser designado por fim da adolescência e início da idade adulta. São anos em que as transformações desencadeadas na puberdade e pelo desenvolvimento cognitivo na adolescência se consolidam, são anos em que se faz a transição da pessoa dependente dos pais, sem grandes responsabilidades, para a pessoa adulta, com um projecto profissional, com valores e ideias próprias, com um sentimento de quem é, que tipo de pessoa quer ser, que tipo de vida quer levar, com confiança em si como homem ou mulher e capacidade para estabelecer relações amorosas estáveis.

Os anos de Universidade são um período de uma enorme aquisição de conhecimentos, mas são também um compasso de espera em que o jovem pode livremente experimentar e pensar aquilo que se quer tornar, como pessoa e como membro da sociedade, sem ter ainda grandes responsabilidades. Nestes anos os jovens deverão tornar-se mais autónomos e independentes dos pais, com confiança em si para poderem prosseguir um projecto profissional e um projecto afectivo. Freud disse uma vez a quem lhe perguntou o que caracterizava um adulto saudável: "é aquele que é capaz de amar e de trabalhar".

Digamos portanto que, para além das tarefas académicas, há "tarefas psicológicas" a desenvolver durante o período universitário. Estas "tarefas" são muitas vezes levadas a cabo gradualmente e até sem o jovem dar por isso; outras vezes, porém, desencadeiam sentimentos de grande dúvida, ansiedade, incapacidade, depressões, etc.

 

Como ajuda o GAPA?

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Porque é que falar com um psicólogo é, em muitas circunstâncias, mais útil do que desabafar com um amigo ou uma pessoa mais velha ? Porque estas em geral apressam-se a dar conselhos sensatos que traduzem o que elas fariam se estivessem na situação de quem lhes está a pedir ajuda. Ora o que o jovem precisa é muitas vezes mais do que isso. Precisa de se clarificar, de perceber o que quer, quem é, antes de ser capaz de optar. O psicólogo é uma espécie de espelho que permite esta clarificação e definição do jovem de dentro para fora e não de fora para dentro. Falando, as pessoas podem mudar: o psicólogo ouve, numa atitude de empatia, sem juízos morais ou de valor, e o discurso que ouve é reenviado no modo como foi compreendido. Então a pessoa é confrontada com esse discurso e "vê" o que antes não se tinha apercebido, como quem se vê ao espelho. É então que pode ir mudando, se quiser, aquilo que passa a "ver" melhor, clarificando situações, emoções e conflitos, que pareciam ser sem saída ou confusos, analisar motivações, decidir entre alternativas.

Pedir atempadamente ajuda pode ser fundamental para não "perder o passo" no rendimento dos estudos. O ritmo dos testes e das matérias leccionadas não pára, e a capacidade de concentração para estudar depende drasticamente de um certo sentimento de paz e de que as "coisas" vão bem. Por isso não adies procurar o GAPA, se precisares.

Para além do apoio individual aos alunos, o GAPA organiza, durante o ano lectivo, seminários intensivos que pretendem ir ao encontro das necessidades dos estudantes, tais como "Saber Estudar é Meio Caminho Andado", "As Relações com os Outros nos Grupos e nas Organizações: Saber dizer Sim e Saber dizer Não" e "A Entrada no Mercado de Trabalho".

O estudante que utiliza o GAPA tem garantia de total confidencialidade, em particular em relação à família ou estruturas académicas.

Para mais informações podes contactar directamente o Serviço (Edifício III, Piso 1) ou pelo telefone 21 2948579 ou 21 2948300, extensão 15501. As marcações podem ser feitas das 9H30 às 17H30 de segunda a sexta-feira, pessoalmente, pelo telefone, através do endereço electrónico div-a.ae.psicologia@fct.unl.pt ou por fax 21 2947812.