Passividade, Agressividade e Manipulação ou o Contrário de Ser Assertivo

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  • Se é verdade que os comportamentos de passividade, agressividade e manipulação podem ter a sua utilidade, é também verdade que a nossa tradição nos leva a utilizá-los mais frequentemente do que o necessário, sem dar provas de imaginação ou de criatividade para responder eficazmente aos problemas. A afirmação de si pode ser essa nova maneira de abordar as pessoas e acontecimentos.
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  • Ser assertivo é não ter medo de exprimir firme e tranquilamente o nosso ponto de vista, defendendo os nossos direitos e respeitando os dos outros. É exprimir a nossa personalidade sem suscitar a hostilidade dos que nos cercam; saber dizer não e saber tomar decisões difíceis ou impopulares quando a situação o exige. É desenvolver comunicações abertas num clima de tolerância sã, face aos desacordos normais que a vida suscita.
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  • No fundo, ser assertivo é privilegiar a responsabilidade individual, ser consciente, autónomo e espontâneo; mostrar o jogo e não temer o face a face, negociando na base de objectivos precisos e claramente definidos, cimentando as nossas relações com os outros em estratégias de confiança lúcida, mais do que em sistemas de dominação ou de calculismo.
    Para que isto seja possível, é necessário:
    • exercermos tranquilamente a autoridade
    • defendermo-nos contra os excessos de poder
    • controlarmos os nossos medos
    • aprendermos a integrarmo-nos no grupo, sem nos deixarmos manipular ou dominar pelo conformismo da maioria, conservando a riqueza da nossa própria individualidade

 

OS COMPORTAMENTOS NÃO ASSERTIVOS

 

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A FUGA

  • A maioria das pessoas que adopta atitudes de fuga justifica-se e invoca pretextos que não são mais do que racionalizações para recusar afirmar-se. Contudo, será também essa maioria que virá a sofrer as consequências negativas desse comportamento, que se traduzem frequentemente em rancor ou ressentimento; incapacidade de comunicação com o outro (que acaba por não conhecer de facto); desperdício de energia (porque a inteligência e afectividade estão a ser usadas para se defender e não para acções construtivas para si próprio e para os outros); perda de respeito por si mesmo; sofrimento pessoal.
    Com frequência, geram-se ciclos viciosos de auto-reforço desta atitude de fuga e isto por três razões fundamentais:
    • uma falsa representação da realidade envolvente (frequentemente, criam-se fantasmas sobre o poder dos outros; imagina-se que ele é muito mais  elevado do que de facto é; que pode fazer mal e obstruir a nossa própria acção);
    • uma desvalorização excessiva da situação (desvalorização da própria  capacidade para resolver os problemas; desvalorização das possibilidades de solução; da gravidade dos problemas; da própria existência do problema...);
    • uma necessidade de ser apreciado (esta leva à tendência para evitar a todo o custo os conflitos e daí a demissão e a capitulação em presença dos oponentes).

 

CASOS TÍPICOS
  • o "apressado" que nunca tem tempo para nada
  • a "pessoa que bloqueia" perante os problemas e que se mostra tímida e silenciosa
  • a "pessoa que adia tudo", arranjando sempre boas razões para resolver mais tarde
  • a "pessoa que assume a postura de observador", não participa e recusa-se a tomar partido
  • o "ideólogo" que tem sempre de reflectir e que, para resolver qualquer problema, tem que mudar todo o sistema
  • o "amável" que procura sempre ser agradável e que deixa que abusem dele
  • o "concordante" que está sempre de acordo com tudo e não suporta o conflito
  • o "lamuriento" que se arma em miserável

 

O ATAQUE

O ataque é uma atitude de agressividade perante as pessoas e os acontecimentos: em vez da afirmação tranquila mas firme, o que ataca prefere submeter os outros, fazê-los vergar mesmo em seu detrimento. Estas atitudes supõem um forte dispêndio de energia e acontece frequentemente que o agressivo perde a confiança e consideração dos outros, deixa de ser informado ou, quando a frustração é grande, é dominado por perturbações somáticas. Na origem destes comportamentos, podemos supôr:

  • um elevado grau de frustração no passado, sem que lhe seja permitido reconhecer a sua própria fragilidade;
  • um medo latente do outro, por medo de ser esmagado numa relação directa;
  • o desejo de vingança, que decorre principalmente de sentimentos de rivalidade antigos, mas que continuam a regular as suas interacções, tratando-se velhos contenciosos por intermédio de terceiras pessoas.

 

CASOS TÍPICOS
  • o "autocrata" que obtém o consentimento pelo medo
  • o "rebelde" que se sente imbuído de um espírito de denúncia
  • o "espírito de contradição"
  • o "sabotador"
  • a "pessoa que quer endireitar o mundo"
  • a "pessoa vingativa"
  • a "pessoa que desvaloriza tudo e todos"
  • o "pretensioso" que esmaga os outros com os seus conhecimentos
  • o "susceptível" que suporta mal a mínima contrariedade

 

A MANIPULAÇÃO

O manipulador não receia ter discursos diferentes conforme os interlocutores; gosta de falar baixo, enviesadamente e não acredita na informação directa. Manipular é não anunciar objectivos ou, pelo menos, não ser claro quanto aos objectivos. Acontece frequentemente que a manipulação surge inconscientemente, sem que as pessoas se dêm conta do que estão a fazer (sobretudo quando se culpabiliza os outros no que respeita aos próprios valores, para as fazer agir num determinado sentido). A manipulação é tanto mais eficaz quanto maiores são as diferenças de poder e de influência mas a pessoa que manipula perde toda a credibilidade à medida que os seus truques se denunciam. O tempo gasto custa muito caro porque os problemas continuam sem ser resolvidos; os compromissos continuam a não ser encontrados e as decisões continuam a não ser aplicadas. As razões destes comportamentos de manipulação ligam-se essencialmente:

  • b>à educação tradicional que acaba por ser uma imensa manipulação permitida, regulamentada e elevada ao estatuto de sistema moral (Por exemplo, a ideia de que mentir às crianças não é mentir);
  • a certas crenças estereotipadas da nossa sociedade (Por exemplo, ideia de que é mais fácil agir por interposta pessoa ou a ideia de que é possível apanhar o outro sem que ele se aperceba).

 

CASOS TÍPICOS
  • a "pessoa que seduz e lisongeia"
  • a "pessoa que desvaloriza o outro quando este é inseguro ou fraco"
  • a "pessoa que exagera e caricaturiza"
  • a "pessoa que simula e confabula"
  • o "conspirador"
  • a "pessoa que faz combinações secretas" (com troca de favores)
  • a "pessoa que intercede" (agir na sombra indo directamente à fonte de poder)
  • a "pessoa que culpabiliza, fingindo ser o salvador" ("faço isto porque sou teu amigo")
  • a "pessoa que finge ser franca"
  • o "encobridor"

 

Se continuas interessado neste tema, podes ainda ler os documentos anexados a este, intitulados "Ser assertivo implica..." e "Os comportamentos do assertivo".

Para além da leitura dos documentos, podes ainda recorrer ao GAPA se considerares imprescindível a opinião e apoio de um técnico/técnica especializado neste ou noutros campos da tua vida.