15-01-2026
Ilustração científica por Eva Carret.
O paleontólogo Alexandre Guillaume, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa | NOVA FCT e do Museu da Lourinhã, esteve na equipa que descobriu uma nova espécie de anfíbio do Jurássico Superior de Portugal: Nabia civiscientrix.
O trabalho de investigação contou com a supervisão de Miguel Moreno-Azanza e de Eduardo Puertolas-Pascal, da Universidade de Saragoça (Espanha), a colaboração envolveu Marc Jones, do Museu de História Natural de Londres (Reino Unido) e Susan Evans, da University College London. Os resultados foram publicados no Journal of Systematic Palaeontology.
Durante uma investigação na região da Lourinhã, foram recolhidos ossos cranianos isolados e alguns elementos vertebrais e pós-cranianos, um conjunto de fósseis com 150 milhões de anos. Este foi o ponto de partida para esta nova descoberta. “Alexandre Guillaume encontrou muitos deles, com a ajuda do projeto Citizen Science que realizou no Parque dos Dinossauros de Lourinhã e no Museu da Lourinhã. Alguns dos ossos mais conhecidos, como os frontais ou as mandíbulas, foram facilmente identificados. Mas, mais tarde, ele percebeu que tínhamos uma visão muito mais completa da anatomia com ossos raramente encontrados, como os quadrados ou os ilíacos”, explica Miguel Moreno-Azanza, professor da Universidade de Saragoça. “É sempre bom ver as comunidades locais envolvidas neste tipo de projeto, especialmente quando acabam por dar tanto destaque ao seu próprio património paleontológico.”
Parte do trabalho consistiu também em comparar os fósseis da Lourinhã com os dos leitos de Guimarota, também em Portugal e da mesma idade.
“O material de Guimarota é conhecido há muito tempo”, explica Alexandre Guillaume, investigador da NOVA FCT. “Sabíamos que era uma nova espécie, que sempre foi considerada como tal por outros paleontólogos. Mas o nosso estudo anterior sobre a parte frontal desafiou a atribuição original ao género Celtedens. Por isso, tivemos de aprofundar a investigação”.
O estudo dos outros ossos acabou por levar os investigadores a descrever um novo género e espécie, Nabia civiscientrix. É o albanerpetontídeo mais antigo da Península Ibérica e um dos mais antigos do mundo. “Esta nova espécie destaca a herpetofauna presente na Lourinhã durante o Jurássico Superior, há 150 milhões de anos”, acrescenta Guillaume.
De facto, a Lourinhã é conhecida pelos seus dinossauros, como o Lourinhanosaurus, o Hesperonyx ou o Miragaia, mas coexistiu uma enorme diversidade de pequenos animais ainda por conhecer rastejava aos seus pés. Entre eles estão os enigmáticos Albanerpetontidae: um grupo de lissanfíbios extintos (que inclui os anfíbios modernos) que pareciam pequenas salamandras - com menos de 5 cm de comprimento - com um sistema de alimentação com língua balística como os camaleões, pele seca e escamosa, garras semelhantes a queratina e pálpebras.
Vários dos espécimes mais bem preservados da Lourinhã foram enviados para Inglaterra para serem submetidos a uma microtomografia computadorizada em Londres, com os professores Marc Jones e Susan Evans. Isso proporcionou modelos 3D dos ossos, usados pelos investigadores para ilustrar e descrever os ossos em detalhe, permitindo uma revisão completa da anatomia dos albanerpetontídeos.
“Até recentemente, os estudos concentravam-se geralmente num conjunto limitado de ossos facilmente reconhecíveis, porque durante muito tempo não tivemos espécimes completos nem articulados, e vários ossos não foram ilustrados e, portanto, não foram identificados”, lamenta Alexandre Guillaume. Assim, algumas espécies podiam ser descritas com base apenas em alguns ossos, mas depois não podiam ser comparadas com espécimes mais completos nos quais esses ossos estariam em falta ou mal preservados.
No entanto, com base nas observações de Alexandre Guillaume e de Susan Evans a partir do novo material e de outros espécimes em todo o mundo, os investigadores propuseram um novo conjunto de dados morfológicos para análises futuras, implementando novas características e atualizando as anteriores, o que constitui um dos principais resultados deste trabalho.
“Convido todos a olharem mais atentamente para estes pequenos ossos, muitas vezes ignorados, para que possamos compreender melhor, em conjunto, o que eram estes pequenos anfíbios. Este é apenas o primeiro passo”, conclui Alexandre Guillaume.
Na imprensa:
Nabia civiscientrix, a nova espécie de anfíbio do Jurássico português, Público
Descoberta nova espécie de anfíbio do Jurássico na Lourinhã, SIC Notícias
Nova espécie de anfíbio do jurássico identificada em fósseis em Portugal, Observador Online
Nabia civiscientrix, a nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em fósseis da Lourinhã, CNN Portugal
Abram alas para a Nabia. Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em Portugal, Renascença
Fósseis de 150 milhões de anos revelam espécie em Portugal, Sapo
Cientistas cidadãos ajudaram a descobrir anfíbio que viveu há 150 milhões de anos, na Lourinhã, Wilder.pt
Descoberta nova espécie de anfíbio que viveu em Portugal há 150 milhões de anos, Green Savers
Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em fósseis em Portugal, Notícias ao minuto
Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em fósseis em Portugal, Correio da Manhã
Nova espécie de anfíbio com 150 milhões de anos descoberta na Lourinhã, Ambiente Magazine
Nova espécie de anfíbio do Jurássico identificada em Portugal, Portugal News Online
Nova espécie de anfíbio do tempo dos dinossauros descoberto em Portugal, Notícias de Coimbra Online
Novo anfíbio acaba de ser encontrado nesta vila em Portugal: é parecido com este animal e conviveu com os dinossauros, Postal do Algarve