24-03-2026
“O Exilado (Um velho exilado sonhando a sua juventude)”, obra de 1962-63 de Paula Rego, pertencente à Coleção da Câmara Municipal de Cascais / FDLI / CHPR, é a primeira obra da artista a ser alvo de um estudo técnico e de uma intervenção de conservação e restauro aprofundada. O resultado deste trabalho pode agora ser visto na exposição “O Exilado: da Criação à Conservação”, que inaugura a 31 de março, na Casa das Histórias.
A investigação, conduzida pelas conservadoras-restauradoras Laura Bacalhau e Sara Babo, do Departamento de Conservação e Restauro da NOVA FCT, em colaboração com Sílvia Sequeira, do Laboratório José de Figueiredo, Museus e Monumentos de Portugal, EPE, e com a curadora Catarina Alfaro, coordenadora de Programação e Conservação da Casa das Histórias Paula Rego, combinou observação visual, imagiologia com diferentes tipos de radiação, análises laboratoriais, testes microquímicos e pesquisa documental. O estudo revelou colagens ocultas, alterações compositivas e sobreposições de materiais que clarificam o processo criativo característico das “pinturas-colagens” de Paula Rego, permitindo compreender tanto a construção da obra como os mecanismos de degradação que a afetaram ao longo de mais de seis décadas.
Ao longo desse período, “O Exilado” sofreu transformações inevitáveis: desvanecimento de cores, abrasão dos pastéis, fragilidade e amarelecimento dos papéis, bem como deformações resultantes do envelhecimento desigual dos materiais. A intervenção centrou-se na estabilização da obra, com ações de limpeza, consolidação, readesão dos papéis e reintegração cromática pontual, respeitando a integridade material e estética da pintura.
Todas as decisões seguiram os princípios basilares do restauro contemporâneo – intervenção mínima, compatibilidade e reversibilidade –, em linha com a prática científica desenvolvida no Departamento de Conservação e Restauro da NOVA FCT. A exposição permite descobrir a obra na sua forma atual e compreender a complexidade do percurso que a trouxe até aqui, convidando a refletir sobre o papel do tempo, da técnica, da investigação académica e da conservação na preservação das obras de arte.
A exposição estará patente até dia 31 de Janeiro de 2027.