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Estudo do ASTROPOWER premiado em conferência internacional por avanços no treino muscular de idosos

13-07-2026

Um trabalho do projeto ASTROPOWER foi distinguido com o prémio de melhor poster na Powerpenia Conference 2026, o encontro científico internacional dedicado à avaliação da potência motora humana enquanto marcador de saúde, organizada pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa (FMH-ULisboa) nos dias 2 e 3 de julho.

O prémio foi atribuído a Dania Furk, estudante de doutoramento do Programa Doutoral em Engenharia Biomédica da NOVA FCT (FCT-UNL). A distinção reconhece um conjunto de resultados que ligam a investigação feita para o espaço à prevenção da perda de potência muscular no envelhecimento.
Fazer os músculos mais potentes

O ASTROPOWER, financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) e liderado pelo professor Hugo Gamboa, do Departamento de Física da NOVA FCT, desenvolve um sistema de treino com biofeedback acústico baseado na atividade muscular. A ideia baseia-se na utilização do som para orientar a forma como a pessoa ativa os músculos durante o exercício.

Os primeiros resultados apontam numa direção clara: com o biofeedback acústico, o músculo do membro inferior passou a ativar mais rapidamente, favorecendo a produção de potência muscular, ou seja, a capacidade de gerar força de forma rápida. Esta capacidade é a aquela que se perde primeiro com a idade e que sustenta gestos do dia a dia como levantar de uma cadeira, subir um degrau ou recuperar o equilíbrio para evitar uma queda.

A equipa sublinha que se trata de resultados iniciais, obtidos num período de recolha de cerca de mês e meio, mas suficientes para mostrar que a estratégia produz mudanças mensuráveis e para justificar a continuação deste caminho.

Uma "lupa" da fisiologia, fora do laboratório

Mais do que confirmar que existe perda de potência, o projeto quer intervir sobre as suas causas. Para isso, monitoriza em detalhe o comportamento fisiológico durante o exercício: ritmo cardíaco, velocidade e força de cada movimento, tempos ao milissegundo e a ativação das fibras musculares, tudo de forma não invasiva. É esta observação detalhada, quase uma lupa sobre a fisiologia humana, que permite detetar padrões prejudiciais, como a ativação simultânea de músculos que se opõem, e depois corrigi-los com o treino.

Um traço distintivo do trabalho foi o "sair do laboratório". As recolhas foram feitas no terreno, nos locais onde as pessoas praticam exercício, incluindo numa universidade sénior, demonstrando que os instrumentos funcionam fora de um contexto laboratorial. A equipa está também a desenvolver uma nova ferramenta de avaliação da potência motora e de biomarcadores associados. Com base em valores de referência, será possível estimar a "idade funcional" dos músculos de cada pessoa, ou seja, a sua capacidade física real, e compará-la com a idade cronológica. A ambição é que este tipo de avaliação venha a ser tão valorizado como uma análise clínica: assim como um colesterol elevado nos leva a agir, também estes marcadores fisiológicos poderão convencer as pessoas a mudar hábitos para melhorar a sua condição.

Do espaço para a Terra

O projeto materializa um dos objetivos que mais interessa à ESA: o contágio entre a investigação para o espaço e a sua aplicação em terra. Astronautas em microgravidade e pessoas mais velhas partilham processos semelhantes de degradação muscular. Ao encontrar formas de a reduzir através do som, o ASTROPOWER abre uma via de contramedidas úteis tanto para missões espaciais como para o envelhecimento na Terra.

Os resultados apoiam-se em três estudos que envolveram população jovem e idosa, num total de 154 pessoas, e no trabalho de cerca de 27 investigadores, estagiários e colaboradores das instituições envolvidas, numa colaboração entre a NOVA FCT, University of Seville, TMG-BMC, Plux Wireless Biosignals, Harvard-MIT e a AFFIDEA Portugal.

O prémio na Powerpenia Conference 2026, valida internacionalmente esta linha de investigação e reforça a mensagem central do projeto: inspirados pelo espaço, é possível encontrar novas estratégias de exercício e de feedback para preservar a potência muscular ao longo da vida.

Mais informação sobre o projeto em astro-power.eu.