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Educação para um melhor futuro: um olhar sobre o EDUNOVA.ISPA

por Helena Rocha, docente no Departamento de Matemática da NOVA FCT e coordenadora da Faculdade no EDUNOVA.ISPA

 

A Educação há muito que é reconhecida como importante, mas o séc. XXI tem vindo a enfatizar a necessidade de refletir sobre as práticas tradicionalmente adotadas. O rápido desenvolvimento da tecnologia tem mudado significativamente o acesso à informação, sugerindo a necessidade de repensar a valorização dada ao conhecimento de factos e tornando premente o desenvolvimento de espírito crítico e da capacidade de análise e resolução de problemas.

O professor já não é (ou já não deve ser) alguém que partilha conhecimento, mas alguém que envolve os alunos e os desafia para ir mais além, vendo para além do aparentemente óbvio, sem esquecer as questões éticas que as tecnologias emergentes colocam. É neste contexto que surge o EDUNOVA.ISPA, uma nova unidade de investigação organizada sob a forma de consórcio, que reúne investigadores da NOVA FCT, da NOVA FCSH e do ISPA e que pretende vir a tornar-se uma referência na Educação.

Na NOVA FCT as atividades do centro de investigação focam-se, como não poderia deixar de ser, nas áreas de Ciências, com um enfoque significativo na Educação Matemática. Dentro das questões trabalhadas, as que dizem respeito à integração da tecnologia no ensino e aprendizagem da Matemática assumem particular destaque. É o caso do projeto TecTeachers (financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia) que se centra no conhecimento que o professor precisa de ter para ensinar Matemática com tecnologia. Porque o professor precisa de conhecer a tecnologia, mas precisa também de saber como a usar para ensinar e de estar ciente de como esta muda a forma como os alunos percecionam os conceitos matemáticos. Mas as tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial (IA), têm feito surgir novas questões.

Enquanto no passado uma nova tecnologia obrigava a tempo de aprendizagem para a poder operar, atualmente usar uma tecnologia como o ChatGPT é simples (do ponto de vista operacional), mas estas novas tecnologias vêm desafiar a crença de que uma resposta dada pela tecnologia está sempre correta e vêm, acima de tudo, obrigar-nos a questionar o que consideramos a verdadeira essência da Educação. O projeto AI-TecTeachers (aprovado pela FCT I.P. no último concurso de projetos) pretende contribuir para esta discussão e para o desenvolvimento de um quadro teórico de base, adequado para suportar a formação de professores capacitados para o uso de IA.

A complexidade crescente da nossa sociedade e a necessidade de equipas multidisciplinares para abordar os problemas atuais, aumenta a relevância de abordagens inter e transdisciplinares, como é o caso da abordagem STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics). Estas não são, no entanto, fáceis de implementar num sistema educativo fortemente espartilhado e disciplinar. O projeto STEaiM CT, um projeto Erasmus+ com uma equipa envolvendo cinco países europeus, pretende abordar esta problemática, desenvolvendo um conjunto de recursos para a formação de professores de Matemática, competentes não só para uma abordagem integrada dos saberes, como também para a integração de tecnologias emergentes como a IA.

Todos estes desafios colocam um foco significativo sobre o professor e sobre a sua formação, mas também sobre os formadores de professores. E esta é outra das dimensões do trabalho desenvolvido no EDUNOVA.ISPA. O projeto iMath PALOP (financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian) envolve duas instituições portuguesas e instituições de cinco países africanos, visando o desenvolvimento profissional dos professores que no ensino superior fazem formação de professores de Matemática.

Com uma atenção aos contextos, porque a Educação ocorre sempre em contexto, procura-se a inovação e a melhoria da Educação. E é desta busca permanente pela melhoria e inovação que o EDUNOVA.ISPA é feito, pois uma melhor Educação significará sempre um melhor futuro.


Setembro 2025