por Clara Gomes, Investigadora LAQVRequimte - NOVA FCT e representante da Escola no grupo de trabalho do Plano de Igualdade de Género da Universidade NOVA de Lisboa
Fotografia: João Lima/NOVA FCT

A Universidade NOVA de Lisboa tem assumido um papel de destaque nacional e internacional na promoção da igualdade de género no ensino superior, com impacto direto na NOVA FCT, assumindo a igualdade como um direito fundamental e uma condição para o desenvolvimento sustentável e inclusivo. Entre 2019 e 2023, a NOVA integrou o consórcio europeu SPEAR, sob a coordenação inicial da Professora Elvira Fortunado e, posteriormente, da Professora Isabel L. Nunes. O principal objetivo consistiu em apoiar e implementar planos de igualdade de género na academia e na investigação, promovendo alterações institucionais para aumentar a participação das mulheres na ciência e na inovação. Este compromisso culminou na aprovação do Plano de Igualdade de Género da NOVA (2021-2025), alinhado com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A NOVA FCT integra o Plano de Igualdade de Género da Universidade NOVA de Lisboa (2021-2025), que se estrutura em cinco dimensões essenciais: conciliação trabalho-família e cultura organizacional; equilíbrio de género na liderança e órgãos de decisão; igualdade de género no recrutamento e progressão de carreira; integração da dimensão de género na investigação e educação; e medidas contra a violência de género, incluindo o assédio sexual.
A sua implementação envolve monitorização contínua, ações de sensibilização, formação e a promoção de uma linguagem inclusiva em toda a comunicação institucional, visando garantir a sustentabilidade das ações e a sua integração em todas as unidades orgânicas, incluindo na NOVA FCT.
Apesar dos avanços, a presença feminina nas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) continua a ser um desafio. Na NOVA FCT, os dados de 2024 mostram que as mulheres estão em grande maioria na carreira não docente (70%), enquanto que nas carreiras docente (40%) e de investigação (59%), os valores são mais equilibrados. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer, pois, quando analisamos os cargos que desempenham, fica evidente que as mulheres, tanto as docentes/investigadoras como as não docentes, estão subrepresentadas em cargos de liderança.
No âmbito de iniciativas que promovem a inclusão e o desenvolvimento de todas as carreiras destacam-se: o Global Women’s Breakfast, realizado anualmente em articulação com o Dia das Mulheres e Raparigas na Ciência da ONU, com o objetivo de criar espaços de partilha e networking que ultrapassam fronteiras disciplinares; o Portal de Denúncia que oferece canais seguros de reporte de assédio ou discriminação; o Gabinete de Apoio Psicológico; e o Programa Concilia NOVA FCT que tem como objetivo articular horários flexíveis, serviços de creche e teletrabalho para mitigar tensões entre vida profissional e pessoal.
Apesar destes progressos, subsistem ainda desafios para consolidar a paridade em todas as dimensões. A expansão da recolha de dados por área científica e nível hierárquico permitirá definir metas específicas, e monitorizar o seu impacto. É crucial a criação de um Grupo de Trabalho de Igualdade de Género e Inclusão, representativo da comunidade NOVA FCT, reforçar programas formais de mentoria, sensibilização e intensificação de formações sobre vieses inconscientes e linguagem inclusiva.
A igualdade de género é uma meta em constante evolução. O caminho percorrido pela NOVA e pela NOVA FCT demonstra que a mudança é possível quando há compromisso institucional, monitorização rigorosa e envolvimento de toda a comunidade.
Maio 2025