Os cuidadores lidam diariamente com exigências emocionais, esforço físico, falta de equipamentos e a difícil conciliação entre vida pessoal e profissional. É neste contexto que nasce o OHCare – Optimizing Home Care Social Services, um projeto que aposta em modelos de otimização e sistemas de apoio à decisão (DSS) para melhorar o planeamento e a gestão dos serviços. A ideia é simples mas ambiciosa: usar dados e algoritmos para tornar os processos mais eficientes, sem perder de vista o bem-estar dos profissionais e a qualidade dos cuidados.
Em conversa com Isabel Gomes, docente e investigadora do Departamento de Matemática/NOVA Math, na NOVA FCT, responsável pelo projeto OHCare, torna-se evidente que os serviços de apoio domiciliário enfrentam hoje desafios sem precedentes. O envelhecimento acelerado da população e as necessidades de crianças e famílias vulneráveis aumentam a pressão sobre instituições e profissionais. “A logística de agendamento e coordenação dos serviços é tão crítica quanto a própria prestação de cuidados”, sublinha a investigadora.
O OHCare desenvolve-se em várias fases, começando pela recolha e análise de dados das instituições parceiras. A partir daí, recorre a modelos matemáticos para planear as visitas dos cuidadores e antecipar imprevistos como faltas ou cancelamentos de visitas. “Queremos soluções robustas, que funcionem em diferentes cenários e que sejam testadas em colaboração com as próprias instituições”, explica Isabel Gomes.
Para ultrapassar a complexidade dos problemas, a equipa liderada pela investigadora, recorre a metaheurísticas e métodos híbridos, desenvolvendo algoritmos inovadores que permitem encontrar respostas fiáveis em muito pouco tempo.
O protótipo do OHCare será disponibilizado através de uma aplicação web, desenvolvida em co-design com as instituições parceiras do projeto, o que permitirá a estas gerir dados de cuidadores e famílias e sugerir estratégias de planeamento. Este é um projeto interdisciplinar integrando várias áreas científicas, como a matemática, a gestão e as ciências da computação, ao serviço do “bem-estar dos cuidadores” pois, como lembra a Prof. Isabel Gomes, que “este é essencial para a qualidade dos cuidados”.
Ao apostar em dados, tecnologia e colaboração com stakeholders, o OHCare promete transformar a forma como os serviços de apoio domiciliário são planeados e geridos. O objetivo final é claro: melhorar a vida de quem recebe cuidados e de quem os presta.

Fotografia: João Lima/NOVA FCT
Equipa de investigação composta por:
NOVA FCT: Isabel Gomes, Parisa Ahani, Raquel Aguiar, Nelson Chibeles-Martins, Susana Baptista, Matheus Francisco
IST: Tânia Ramos
Colab Value 4 Health: Federico Guedes, Rodrigo Antunes, Pedro Dias