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Tecnologia biomédica ao serviço da qualidade de vida

por Cláudia Quaresma, docente e investigadora na NOVA FCT / Lybphis

 

A inovação assume hoje um papel central na transformação da sociedade, impulsionada pela ciência e pela tecnologia. Em poucas áreas esse impacto é tão visível, e com um cariz humano, como na tecnologia biomédica, um campo onde o conhecimento científico se alia à engenharia para desenvolver soluções que melhoram a precisão no diagnóstico, potenciam a eficácia terapêutica e promovem a qualidade de vida.

A biomédica não se resume à criação de novos dispositivos médicos ou equipamentos hospitalares; representa uma mudança de paradigma na forma como se entende, diagnostica e trata a doença. A integração de tecnologias como a impressão 3D, a inteligência artificial, a robótica médica, os biossensores e a saúde digital está a redefinir os limites da saúde, tornando os cuidados mais personalizados, acessíveis e eficientes.

Hoje, é possível produzir próteses e dispositivos de apoio personalizados através da impressão 3D, ajustados às necessidades anatómicas e funcionais de cada pessoa, a um custo reduzido e com impacto direto na qualidade de vida e na inclusão social. A utilização de inteligência artificial na análise de imagens médicas permite diagnósticos mais precoces e precisos, apoiando os profissionais de saúde nas suas decisões clínicas. Já a monitorização remota de parâmetros fisiológicos, através de tecnologias wearable e aplicações móveis, está a revolucionar o acompanhamento dos doentes em contexto domiciliário, promovendo a prevenção, permitindo intervenções mais precoces, e reduzindo internamentos.

Mas inovar em saúde não é apenas criar tecnologia, é compreender que a verdadeira inovação surge quando o conhecimento científico responde a necessidades reais. Projetos que utilizam uma metodologia de cocriação entre engenheiros, médicos, terapeutas, enfermeiros, pacientes e cuidadores demonstram que as soluções mais impactantes são aquelas que nascem da escuta ativa e da colaboração interdisciplinar.

Portugal tem vindo a afirmar-se como um país de excelência neste domínio, através de centros de investigação, universidades e empresas que apostam na inovação responsável e na transferência de conhecimento para a sociedade. A aposta em redes colaborativas e ecossistemas de inovação é fundamental para garantir que as descobertas científicas se traduzem em benefícios concretos para os cidadãos.

Transformar ideias em soluções e desafios em oportunidades evidencia o valor da inovação. Na área da tecnologia biomédica, esse reconhecimento ganha um significado ainda mais profundo: a inovação não é um fim em si mesma, mas um instrumento para melhorar os cuidados de saúde, promover o valor em saúde e reforçar a inclusão.

Outubro 2025