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UCIBIO: Excelência científica para os desafios da saúde e da bioeconomia

 

A UCIBIO — Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas — é uma referência de excelência científica na interface entre Química, Biologia, Biotecnologia e Bioengenharia. Nesta entrevista, Paula Videira, coordenadora da Unidade, professora e investigadora no Departamento de Ciências da Vida da NOVA FCT, traça a missão, os principais eixos de investigação, e as prioridades estratégicas para consolidar o impacto da UCIBIO na ciência e na sociedade.

 

Paula Videira

  

Para quem ainda não conhece a unidade, como descreveria a UCIBIO e a sua missão principal?

A UCIBIO é uma unidade de investigação que está empenhada em expandir os horizontes das Ciências Biomoleculares Aplicadas através de atividades inovadoras na interface da (Bio)Química, Biologia, Biotecnologia e Bioengenharia, cuja atividade decorre sobretudo na NOVA FCT e na Universidade do Porto (FFUP). Temos uma forte interdisciplinaridade, o que nos permite abordar questões científicas desde o nível atómico e molecular até ao celular e populacional. 

A nossa singularidade advém da combinação de ciência de elevada qualidade guiada pela curiosidade, mas também pela procura de aplicação. A nossa missão é precisamente produzir ciência de excelência, formar investigadores altamente qualificados e transformar conhecimento em soluções úteis para a saúde, a biotecnologia e a sociedade, respondendo a desafios e necessidades de desenvolvimento societal e sustentável.

 

Quais são hoje as áreas de investigação e os temas científicos que melhor representam o trabalho desenvolvido na UCIBIO?

O nosso trabalho científico desenvolve-se em torno de quatro linhas temáticas fundamentais: Interações Biológicas e Biomoleculares, Tecnologias Biomédicas Inovadoras, Saúde Humana e Segurança Ambiental, e Bioengenharia para a Sustentabilidade. Estas áreas são impulsionadas por seis grupos de investigação dinâmicos, que cobrem desde a Biologia Molecular Estrutural e Microbiologia até à Toxicologia, Biomedicina de Precisão e Bioengenharia.

 

De que forma a investigação realizada na UCIBIO contribui para responder a desafios atuais da sociedade?

Ao fundir a curiosidade científica com a inovação nós conseguimos resolver desafios do mundo real na saúde, ambiente e tecnologia, criando um futuro melhor através da investigação interdisciplinar de excelência. Trabalhamos em áreas que são hoje grandes desafios como resistência antimicrobiana, desenvolvimento de novos fármacos, toxicologia e bioengenharia, sempre com o objetivo de gerar conhecimento a nível biomolecular útil e aplicável. 

A nossa capacidade de transferir o conhecimento básico para aplicações orientadas para o mercado deve-se à nossa visão global, parcerias estratégicas de forte capacidade científica e tecnológica. Além disso, ao integrarmos o Laboratório Associado para a Saúde e a Bioeconomia (i4HB), conseguimos desenvolver soluções ainda mais inovadoras para as necessidades de desenvolvimento sustentável e da saúde humana, garantindo que a nossa ciência tem um impacto direto e significativo na sociedade.

 

Assumiu a coordenação da unidade no início deste ano. O que implica, no dia a dia, liderar a UCIBIO?

É uma responsabilidade e uma motivação que abraço com muito entusiasmo, ao lado da vice-diretora Luísa Peixe da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e de toda a equipa de colegas que compõe a direção, assim como toda a comunidade da UCIBIO. Implica liderar uma equipa que já alcançou muito mérito, e estar atenta aos desafios internos e externos. No dia a dia, implica ouvir e envolver a comunidade em ambos os polos, promover uma liderança partilhada e colaborativa com a nossas Comissões, o Gabinete de Apoio da UCIBIO e de vários Grupos de Trabalho, garantindo que a nossa estrutura é coesa, funciona em prol do prestígio científico, e é orientada para o futuro.

 

Nesta nova fase, quais são as prioridades estratégicas que pretende desenvolver?

A nossa ambição é consolidar a UCIBIO como uma unidade de investigação coesa, preparada para o futuro e com forte visibilidade internacional. Para o ciclo 2025-2029, pretendemos implementar um modelo de governação mais participativo, colaborativo e focado na eficiência e na estratégia. As prioridades estratégicas desta nova fase passam por reforçar a excelência científica, consolidar a capacidade tecnológica — incluindo IA e ciência de dados — e investir seriamente no desenvolvimento de talento.

Queremos promover os nossos recursos e a sustentabilidade das infraestruturas e serviços da UCIBIO em articulação com as instituições que pertencemos. Queremos aumentar ainda mais o impacto societal da nossa investigação nas áreas da saúde e bioeconomia, tornar a UCIBIO mais visível e próxima da sociedade e da indústria. Em conjunto, estas prioridades posicionam a UCIBIO para crescer com ambição, responsabilidade e impacto real.

 

Pensando nos estudantes e jovens investigadores, que oportunidades podem encontrar na UCIBIO e que mensagem lhes gostaria de deixar?

A UCIBIO é um lugar onde os jovens podem crescer com ambição. Aqui encontram um ambiente construído para os capacitar, onde a excelência e a inovação podem florescer e onde o desenvolvimento de carreiras e a formação avançada são áreas prioritárias. Acreditamos profundamente que o talento é a base do futuro da unidade e queremos criar condições para que cada estudante e jovem investigador possa explorar ideias, arriscar, inovar e construir o seu próprio caminho. 

A mensagem que lhes deixo é um convite à ação: envolvam-se nas várias atividades e inclusive nos Grupos de Trabalho da UCIBIO. Esta é a vossa UCIBIO, tragam ideias, energia e, idealmente, um bom sentido de humor, porque a ciência e a construção conjunta de ideias é maravilhosa, mas também tem dias complicados e só nos resta rir. O vosso envolvimento é fundamental para a nossa missão coletiva de alcançar a excelência científica e o impacto que ambicionamos.

    

Fotografia: João Lima - NOVA FCT

Fevereiro 2026