por José Paulo Santos, Subdiretor para o Conselho Científico da NOVA FCT
No mês de fevereiro, os fenómenos meteorológicos extremos voltaram a evidenciar a vulnerabilidade das nossas comunidades e dos nossos territórios. Cheias, inundações e episódios de erosão costeira recordam-nos, com particular intensidade, os desafios que enfrentamos num contexto de crescente instabilidade climática.
Neste contexto, os ecossistemas naturais, em particular as zonas húmidas, afirmam-se como aliados essenciais na resposta aos desafios ambientais atuais. Ricas em biodiversidade, estas áreas desempenham funções fundamentais: regulam os ciclos da água, ajudam a mitigar riscos naturais e contribuem para a estabilização dos sedimentos. José Carlos Ferreira, docente do Departamento de Engenharia do Ambiente da NOVA FCT e investigador no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), destaca que o conhecimento aprofundado e a gestão sustentável destes sistemas são determinantes para apoiar políticas públicas mais eficazes, capazes de proteger especialmente as comunidades mais vulneráveis.
A resiliência dos territórios depende igualmente da qualidade e da segurança das construções e infraestruturas. Os recentes episódios de tempestades evidenciaram a importância de avaliar danos com rigor e de reforçar estradas, habitações, edifícios públicos e elementos naturais estruturantes, como rios, diques e zonas costeiras. Fernando Pinho, docente do Departamento de Engenharia Civil da NOVA FCT e investigador no Centro de Estudos e Recursos em Infraestruturas e Sistemas (CERIS), sublinha que a articulação entre investigação aplicada, formação especializada, ordens profissionais e instituições públicas é determinante para promover reconstruções mais sólidas e seguras. Esta colaboração cria ainda bases consistentes para respostas coordenadas e eficazes face a fenómenos extremos cada vez mais frequentes.
A investigação científica continua a desempenhar um papel essencial na melhoria da saúde e do bem-estar. Na Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO), coordenada por Paula Videira, professora e investigadora do Departamento de Ciências da Vida da NOVA FCT, a ciência fundamental cruza-se com aplicações práticas, promovendo uma abordagem integrada a desafios complexos. Neste contexto multidisciplinar, destaca-se o estudo liderado por Filipa Marcelo, investigadora da UCIBIO, que revelou de que forma o sistema imunitário consegue reconhecer sinais subtis em células tumorais. Esta descoberta abre novas perspetivas para a deteção precoce do cancro e para o desenvolvimento de terapias inovadoras. Um avanço que reforça o impacto direto da investigação científica na vida das pessoas e sublinha a importância de investir no conhecimento como motor de progresso e inovação.
Os estudantes da NOVA FCT são parte integrante deste ecossistema de inovação, demonstrando como a formação académica pode traduzir-se em soluções com impacto real na sociedade. Rita Barbosa é um exemplo inspirador: através da aplicação “Guardião”, desenvolveu uma ferramenta destinada a proteger pessoas idosas de burlas telefónicas, respondendo a um problema cada vez mais frequente. O projeto conquistou reconhecimento internacional ao destacar-se no maior hackathon europeu dedicado à Inteligência Artificial, realizado na Alemanha, evidenciando o talento, a criatividade e a capacidade de inovação que marcam a comunidade estudantil da NOVA FCT.
Da proteção ambiental à reconstrução de territórios, passando pela investigação biomédica e pela inovação tecnológica, a NOVA FCT demonstra como o conhecimento, a investigação e a criatividade convergem para responder a desafios reais e atuais.
Esta abordagem integrada reforça a resiliência das comunidades e contribui para a formação de profissionais preparados para desenvolver soluções responsáveis, inovadoras e com impacto concreto e duradouro. É nesta ligação entre ciência, sociedade e futuro que se afirma o compromisso da NOVA FCT com um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.
Fotografia: João Lima/NOVA FCT
Fevereiro 2026