
INVESTIGADOR RESPONSÁVEL
Nome do Investigador Responsável (IR) do projeto: João Paulo Serejo Goulão Crespo
Contacto IR: jgc@fct.unl.pt
Departmento: Departamento de Química (DQ)
UID: LAQV Requimte
FINANCIAMENTO
Tipo de Financiamento: público
Entidade Financiadora: Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I. P. (FCT, I. P.)
Referência da Call: Concurso de 2024 da Parceria Europeia Sustainable Blue Economy (SBEP)
Referência: SBEP/0010/2024
Entidade proponente: Universidade Nova de Lisboa (UNL)
Montante total do projeto: 60.000,00€
Montante total para a NOVA.id: 60.000,00€
Taxa de financiamento: 100%
PROJETO
Acrónimo: ForSea
Título do Projeto: ForSea: Formulação de produtos de algas marinhas como ingredientes de elevado valor para os mercados alimentar e nutracêutico
Data de início: 01-06-2025
Data de fim: 31-05-2028
Breve descrição do projeto:
As macroalgas constituem uma biomassa abundante que presta serviços ecossistémicos substanciais, como por exemplo, fornecimento de habitats para outras espécies marinhas, redução da eutrofização dos oceanos e potencial de sequestrar grandes quantidades de CO₂atmosférico. Até ao momento, a produção global de algas marinhas atinge aproximadamente 30 milhões de toneladas por ano. Na Europa, cerca de 300 000 toneladas de algas são colhidas sobretudo no Oceano Atlântico, sendo as algas castanhas, Laminaria hyperborea, L. digitata eAscophyllum nodosum, as espécies dominantes. A maior parte destas colheitas é proveniente de populações selvagens, e embora o cultivo de algas seja uma indústria em expansão — representando 97 % da produção mundial — está ainda numa fase embrionária na Europa, em diferentes níveis nas várias bacias hidrográficas. O seu cultivo é mais desenvolvido no Atlântico, mas ainda incipiente no Mar Báltico, evidenciando a necessidade de maior conhecimento sobre técnicas de cultivo noutras regiões. A produção total europeia, centrada em Saccharina latissima e Alaria esculenta, situa-se abaixo das 2 000 toneladas anuais. Estas duas espécies não prosperam no Báltico, onde a menor salinidade reduz o número de espécies cultiváveis, mas aí podem ser exploradas, por exemplo, Ulva spp. e Fucus vesiculosus. Ainda assim, o cultivo no Báltico pode trazer benefícios ambientais significativos, dado o elevado défice de absorção de nutrientes e a necessidade de restauração da biodiversidade. Embora muitos países do Leste e Sudeste Asiático incluam tradicionalmente macroalgas na sua dieta, este recurso está pouco aproveitado nas culturas alimentares europeias. A crescente preocupação com as alterações climáticas, a necessidade de alimentar uma população mundial em rápido crescimento e o aumento das doenças associadas ao estilo de vida têm levado a repensar hábitos alimentares. Cada vez mais pessoas procuram alimentos vegetais sustentáveis que ofereçam benefícios para a saúde e reduzam as emissões de gases com efeito de estufa. Estima-se que a população global atinja 9,8 mil milhões em 2050, o que exige produzir 56 % mais alimentos sem aumentar a área de terras agrícolas. As algas marinhas podem colmatar esta lacuna e constituir um ingrediente valioso em diversos produtos, mas ainda enfrentam desafios em termos de qualidade e cadeias de abastecimento, tornando esta matéria num foco urgente. Um dos desafios consiste em demonstrar evidências concretas de benefícios para a saúde e identificar quais os componentes das algas responsáveis por esses efeitos. Outro desafio é controlar os níveis de elementos potencialmente tóxicos, e um terceiro prende-se com a expansão e industrialização de toda a cadeia desde a colheita à estabilização e processamento, com equipamentos adaptados e eficientes. O projeto ForSea aborda especificamente estes três desafios, desenvolvendo equipamento inovador para otimizar a cadeia de produção, processos de extração e fermentação eficientes e sustentáveis para melhorar a conservação e estabilidade, e novos produtos com base em algas para os setores alimentar e nutracêutico. Serão realizadas avaliações ambientais e tecnoeconómicas para garantir uma cadeia de valor sustentável desde a produção de biomassa até aos produtos finais, complementadas por análises e avaliações das propriedades sensoriais e dos efeitos promotores de saúde. O ForSea encontra-se perfeitamente alinhado com o âmbito do concurso e os objetivos de BioRecursos Marinhos: 1. Fornecer novas biomoléculas sustentáveis para os setores alimentar e nutracêutico a partir de duas bacias europeias (Atlântico e Báltico) através de uma abordagem de biorrefinaria; 2. Desenvolver técnicas pós-colheita de extração e processamento para conservação e refinação de produtos marinhos, integrando o desenvolvimento de ingredientes e produtos com baixa pegada ambiental; 3. Avaliar a cadeia de abastecimento e os métodos adotados em termos de sustentabilidade e rastreabilidade. Adicionalmente, o projecto ForSea está em linha com várias diretrizes da UE nas seguintes vertentes: mitigação das alterações climáticas; uso sustentável e proteção dos recursos hídricos e marinhos; transição para uma economia circular; e prevenção e controlo da poluição.